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  • Foto do escritorBárbara Luksevicius

História da USP - descobrindo a origem da Universidade de São Paulo

Consagrada como uma das melhores universidades do Brasil e da América Latina, a Universidade de São Paulo tem sua origem atrelada a importantes fatos históricos da política brasileira e a presença de uma comunidade internacional desde sua criação. Saiba mais sobre a história da USP e seu fundamento.


25 de janeiro. Aniversário da cidade de São Paulo e, também, de uma das universidades mais importantes do estado e do país. Considerada a melhor universidade da América Latina pelo ranking QS World University Ranking 2024, a instituição nasce de um cenário político fervoroso no século XX e conta com intelectuais de peso oriundos do exterior como docentes em seus anos de formação inicial.



Seu prestígio não vem dos dias de hoje e tal reconhecimento, talvez se deva a tamanha importância que faculdades da USP desempenharam na história do país sendo impossível desassociar a história de sua fundação, da história política do país.

Leia mais a seguir sobre o contexto político que deu origem a Universidade de São Paulo.

Contexto histórico e político - revolução constitucional de 1932

Os conflitos entre São Paulo e os líderes nacionais se iniciam em 1930 quando a oligarquia cafeeira de São Paulo e Minas Gerais perdem o poder para Getúlio Vargas. Assumindo como chefe de Estado, Getúlio depõe os antigos governadores, nomeia interventores de sua confiança e fecha o Congresso Nacional. Dá-se início ao Governo Provisório.


Com a Constituição de 1891 anulada e a extinção de partidos políticos, Getúlio acumulava poderes e a tão prometida Assembleia Nacional Constituinte nunca se realizava. Eleições não eram realizadas e decisões tomadas não agradavam apoiadores antigos de Vargas. Os interventores de Estado escolhidos para governar começavam a ter conflitos com políticos locais em diversos lugares do Brasil, como por exemplo, em São Paulo.


Descontentes com a liderança de Vargas e sentindo que a autonomia governante estava em risco, manifestantes se reuniram contra o governo no centro de São Paulo, no dia 23 de maio de 1932. O embate entre as forças armadas e os manifestantes resultou na morte de quatro estudantes: Mário Martins Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. A violência trouxe a classe média para o movimento em prol de uma nova Constituição. As iniciais dos estudantes mortos foram eternizadas no acrômio MMDC e são símbolo da Revolução.


Assim, marcada por uma intensa campanha publicitária pedindo apoio aos jovens e à toda a população, deu-se início a Revolução Constitucionalista no dia 9 de julho de 1932. Até então, paulistanos contavam com o apoio do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, porém boatos de que São Paulo estava lutando pela sua independência, fizeram com que os demais estados se retirassem do conflito. Quatro meses depois, São Paulo se rende. E em 1933 é realizada a Assembleia Nacional Constituinte que dá origem a nova Constituição Brasileira.

Fonte: site Nação Paulista, publicação de 10 de junho de 2020

A fundação da USP no contexto histórico e político

Dado o panorama político e histórico do Estado, a elite paulistana sente uma urgência em criar intelectuais capazes de liderar a nação. Aquelas décadas, de 1920 a 1940 eram períodos de grande efervescência cultural e de modernização. Um exemplo é a própria semana de Arte Moderna de 1922 importantíssima na identidade cultural brasileira. A Associação Brasileira de Educação (ABE) tentava construir uma sociedade mais intelectualizada, com uma educação mais abrangente e com fomentos à ciência e tecnologia. As mudanças que ocorriam caracterizavam a passagem de uma São Paulo rural para uma São Paulo industrial ainda em criação.


Foi partindo do contexto da Revolução de 9 de julho que Getúlio Vargas percebe a importância de manter uma boa relação com o Estado de São Paulo e nomeia Armando Salles de Oliveira como interventor. Este por sua vez, reúne três instituições superiores independentes já existentes e dá início a criação da Universidade de São Paulo a fim de formar uma elite intelectualizada.


Fundada em 25 de janeiro de 1934, no aniversário da cidade de São Paulo, a instituição abriu a Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras como polo centralizador e reuniu as já criadas Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a Faculdade de Medicina e a Escola Politécnica.


Como a educação ainda estava muito atrasada, intelectuais de ponta foram trazidos do exterior para formar o primeiro corpo docente. Passaram pela instituição nomes importantes como: Roger Bastide (Sociologia), Claude Lèvi-Strauss (Antropologia) e Fernand Braudel (História). Muitas das aulas eram ministradas em idiomas nativos dos estrangeiros responsáveis por formarem a geração seguinte de professores da Universidade, que conta com figuras como Florestan Fernandes e Antônio Candido.




Desenvolvimento da Instituição e Campus

Fonte: Site da USP

Aos poucos a universidade foi se expandindo, criando cursos e faculdades até se instalar no campus conhecido hoje como Cidade Universitária na capital. A USP também marca presença em outras cidades espalhadas pelo estado, possuindo campus em Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos.


Atualmente são cerca de 183 cursos de graduação e 229 programas de pós. A USP também é responsável por uma série de museus e centros de pesquisas como o Museu de Arte Contemporânea, Museu de Ciências, Museu de Arqueologia e Etnologia, Museu de Zoologia e Museu Paulista, também conhecido como Museu Ipiranga.

A presença de estrangeiros em sua formação foi responsável por uma de suas fortes características atualmente: a sua internacionalização. Ao longo dos anos, a Universidade firmou grandes parcerias com instituições promovendo congressos, intercâmbios, simpósios e outros diversos eventos que auxiliam na troca de conhecimentos e pesquisas acadêmicas. Todos os anos, centenas de alunos têm a oportunidade de concluir um período do seu curso em uma instituição no exterior, enquanto outros são enviados para estudarem no Brasil.

Apesar de se constituir inicialmente por um corpo docente majoritariamente francês, foi a Universidade de Berlim com seu modelo autônomo que influenciou a USP. Graças a inspiração alemã e a sua própria história, a Universidade de São Paulo se firma como uma autarquia em prol da educação, mantendo certa autonomia sob sua gestão com relação ao governo junto à Unesp e Unicamp.



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